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ÉTICA, CIDADANIA E DIREITO
 

QUESTÕES DE ÉTICA E CIDADANIA APLICADAS AO DIREITO - 2º sem/2004 / para imprimir

QUESTÕES DE ÉTICA E CIDADANIA APLICADAS AO DIREITO I
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QUESTÕES DE ÉTICA E CIDADANIA APLICADAS AO DIREITO II
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FILOSOFIA DO DIREITO 
 

QUESTÕES DE FILOSOFIA DO DIREITO I  / para imprimir
 

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PROVA DE ÉTICA E CIDADANIA APLICADA AO DIREITO 2ºsem/2004, PARA SER PREPARADA EM CASA.



A partir da leitura de cinco trechos de textos atuais, de quatro articulistas e de uma reportagem do jornal a Folha de São Paulo do dia 13 de novembro de 2004, elabore uma reflexão ética, ou seja, uma reflexão crítica sobre a perspectiva moral que os textos possam sugerir-lhe.

ÉTICA I:
Leve em conta a leitura do “Ética a Nicômaco” de Aristóteles, a escala de valores de Scheler e a descrição fenomenológica do Direito.

ÉTICA II:
Leve em conta a leitura do livro Ética, de Adolfo Vásquéz e a elaboração do requerimento de informação formulado, pelo seu grupo, no exercício do direito de petição previsto nos incisos XXXIII e XXXIV do artigo 5º da Constituição Federal. Procure, nesta reflexão, valer-se da ética constitucional posta para a cidadania e da deontologia das profissões jurídicas.

O TAMANHO DA DISSERTAÇÃO DEVE CORRESPONDER AO DE UM MÍNIMO DE QUATRO PÁGINAS (UMA FOLHA DE PROVA), E, NO MÁXIMO, OITO PÁGINAS (DUAS FOLHAS DE PROVA).

Os trechos selecionados, aparentemente desconexos, são os seguintes:

1º) De Clóvis Rossi, à página A2.

O sindicalista John Sweeney, presidente da central AFL-CIO menciona, segundo a coluna do jornalista, as três razões estruturais do sucesso norte-americano:

1- Um mercado unificado e aberto de mais de 200 milhões de pessoas, ancorado em uma classe média grande, espalhado por um continente com abundantes recursos naturais;
2- Uma moeda com um papel global único, incluindo o fato de que o preço do petróleo é em dólar;
3- Uma força de trabalho bem educada e bem treinada, em que um em cada quatro trabalhadores tem educação superior, reforçada, a cada geração, com novos imigrantes dispostos a trabalho duro.

2º) De Luciano Mendes de Almeida, à página A2.

Os povos americanos enfrentam desafios de vários tipos, com influência uns sobre os outros.

“Esta em questão a dignidade da pessoa humana agredida pela cultura de morte, atuante pela corrida aos armamentos, que consome recursos necessários às iniciativas sociais, e pela violência agravada em vários países por causa da guerrilha e do medo do terrorismo internacional. Isso acarreta o desrespeito constante aos direitos humanos e um ambiente de tensão e de insegurança.”

“Permanecem os efeitos negativos da globalização com o vício axiológico de atribuir valor absoluto ao mercado e à economia, atropelando o primado da pessoa.”

“No Brasil, os movimentos migratórios e a crescente urbanização, com o conseqüente desenraizamento cultural, alteraram a convivência no lar e até o conceito de família fundada no matrimônio.”

“Acresce o fato de que o equilíbrio e o autodomínio da pessoa e as relações humanas acham-se altamente prejudicadas pelo comércio e pelo consumo de drogas, que atinge de modo atroz a nossa juventude, aumenta a criminalidade e projeta temores imprevisíveis para o futuro.”

3º) De Gesner Oliveira, à página B2.

“Há uma enorme subestimação dos desequilíbrios e novas demandas geradas pelo próprio sucesso do crescimento chinês. A começar pela dificuldade de manter as demandas democráticas de uma sociedade crescentemente urbana, diferenciada e informada. A não ser que se aceite a inquietante conclusão dos autores Glaeser, La Porta, Lopez de Silanes e Shleifer, em artigo recentemente publicado no último número do ‘Journal of Economic Grouth’, de que ‘países pobres saem da miséria mediante boas políticas, frequentemente adotadas por ditadores’. Mas, mesmo nesse caso, será que esses déspotas esclarecidos do século 21 seriam capazes de conter a pressão democrática?”

4º) De Luís Nassif, à página B3, a respeito dos ‘internacionalistas’.

“Seria exagero afirmar que esteja ocorrendo uma epidemia de estupidez e que seja irreversível essa perda de identidade e de valores nacionais. Esse processo se dá exclusivamente em um segmento da vida nacional, a geração ‘cabeça de planilha’ e seus tutores, e ganha relevância pela fé cega que ainda lhes dedica segmentos importantes da opinião pública”.

“Todas as instituições que, de alguma forma, não estão ligadas a esse movimento suicida de internacionalização estão sendo esculhambadas. Não se critica o Judiciário para buscar o seu aprimoramento, mas para retirar suas atribuições. O que se quer são fóruns internacionais para que nem a Polícia Federal, nem Ministério Público, nem Judiciário possam atrapalhar suas operações financeiras.”

“Essa noite de loucuras vai ter um fim. Esse pessoal é minoritário, não tem vínculos políticos, nem sociais, alimenta-se da ignorância e do provincianismo nacionais. Espera-se que o exorcismo desses fantasmas não demore tanto, a ponto de comprometer a própria fé democrática do país”.

“Onde se pretende chegar?”

5º) De Fernanda Mena, à página C1.

“O protesto de anteontem integrava o Dia Nacional de Luta contra a Reforma Universitária, parte do calendário de mobilização de organizações de docentes, funcionários e estudantes contra o projeto do governo federal”. “O protesto começou às 21h30, após debate sobre a reforma”.

"Segurando faixas e entoando palavras de ordem, cerca de 200 estudantes e alguns professores caminharam até a Avenida Sumaré (zona oeste) e bloquearam uma faixa da via com pneus, posteriormente queimados".

“A polícia foi acionada por um posto de gasolina próximo ao local por funcionários preocupados com o fogo e chegou acompanhada pelo Corpo de Bombeiros”.

“De acordo com a polícia os estudantes ‘jogaram pedras e paus contra os carros e os policiais’ e ‘espancaram os bombeiros’”.

“Os estudantes negam e afirmam que realizavam uma manifestação pacífica e que não utilizavam ‘armas de nenhum tipo’. ‘Não tínhamos nem pedras nem paus. Não estávamos preparados para um confronto e não havia disposição alguma para enfrentamento da polícia’, diz Antônio, 21”.
 

 

QUESTÕES DE ÉTICA E CIDADANIA APLICADAS AO DIREITO I 
 


1.      Disserte sobre a doutrina dos valores a partir do gráfico de Scheler.

Escala de Scheler:

_  |___________|___________|__________|___________|__________|_________|_____  +

              0                    ÚTEIS             VITAIS            LÓGICOS        ESTÉTICOS          ÉTICOS       SAGRADOS

1) ÚTEIS: adequado, inconveniente (Economia).

2) VITAIS: forte, fraco, saúde (Medicina).

3) LÓGICOS: verdade, falsidade (Educação).

4) ESTÉTICOS: belo, sublime (Artes).

5) ÉTICOS: justo, injusto (Virtudes).

6) SAGRADOS: santo, profano (Fé, Religião).

Segundo a escala de valores de Scheler, os valores são organizados em grupos ou classes acima descritos. Entre essas classes de valores existe uma hierarquia. Assim, os valores religiosos afirmam-se superiores aos valores éticos, que por sua vez afirmam-se superiores aos valores estéticos e assim por diante. O ponto zero é o da indiferença. Deste modo, os valores, seguindo sua polaridade, agrupar-se-ão à direita ou à esquerda deste ponto em valores positivos ou valores negativos.
Ser é uma palavra universal que designa o que existe, se existe, é ser. Dá-se o nome de “ente” para o ser que está sendo. O valor não é um ser, é uma qualidade dos seres. Portanto, não é real nem ideal. Os valores não são entes, mas valentes; são qualidades irreais, alheias à quantidade, ao tempo, ao número, ao espaço e absolutas aos seres.
Objeto real é aquilo que se pode conhecer través da intuição sensível. Objeto ideal é aquilo que se conhece pela intuição espiritual e intelectual. São objetos ideais: a numersidade, que permite a percepção de quantidade e tem como conseqüência o número; a relação, que é a capacidade de comparar corretamente dois objetos e opera-se com a lógica (toda atividade mental é uma relação); a figura geométrica, que tem como conseqüência a geometria; e o conceito, que se forma abstraindo os elementos essenciais de um objeto (essência – o atributo do ser que, na falta, destrói o próprio ser).
Em relação aos valores, pergunta-se: o valor é eterno e absoluto ou histórico e cultural?
Existem duas correntes: a majoritária, que é seguida por Miguel Reale e chama-se “historicismo axiológico”. Esta considera o valor como algo histórico e cultural. O valor surge dentro do processo histórico, no interior das culturas. Quando uma parcela da humanidade descobre o valor e passa a defendê-lo, ele torna-se uma invariante axiológica. Alguns exemplos disso são o conceito de justiça, o casamento e a felicidade.
A segunda corrente, minoritária, mostra o valor como algo eterno e absoluto. Parmênides iniciou esta corrente que passa, posteriormente, por Platão, Santo Agostinho e Hegel.
O valor é descoberto através da intuição  (in – dentro, tuire – ver: ver por dentro), e essa intuição não depende da lógica. A intuição é dividida em dois tipos: a sensível e a espiritual.
A intuição sensível ocorre quando os objetos afetam os nossos sentidos. Provocada a sensibilidade, apreendemos o objeto e formamos uma idéia sobre ele. A intuição espiritual, por usa vez, subdivide-se em intelectual, pela qual o espírito apreende a essência dos objetos, emotiva ou afetiva, em que o espírito capta o valor das coisas, seus aspectos qualitativos, e volitiva, em que o espírito reconhece a existência dos objetos quando estes se colocam em  resistência à nossa vontade.
O valor é objetivo, é uma qualidade das coisas. O que é subjetivo é o reconhecimento desta qualidade, pois depende de cada um, ocorre no interior das culturas, dentro do processo histórico.
A objetividade é um dos quatro atributos do valor. Os outros são: a qualidade, a polaridade e a hierarquizabilidade.
A essência do valor é a não-indiferença.
O valor que funda o Direito é a justiça, definida por Aristóteles como o hábito de dar a cada um o que é seu.

 

2.      Qual a proposta de Aristóteles no “Ética a Nicômaco”? Dê a sua opinião sobre a ética da virtude.

Aristóteles mostra que a felicidade é uma disposição da alma adquirida pela prática da virtude, que é o meio-termo entre o excesso e a falta (“in medio virtu”).
Todo o livro diz respeito à contraposição de valores, sempre tomados como opostos. Saber encontrar o meio-termo, para Aristóteles, é característica dos virtuosos e é o verdadeiro meio de se alcançar a felicidade.

3.      Descreva o fenômeno jurídico, comentando a descrição.

”O Direito nasce da consciência daquilo que é injusto, como reivindicação da justiça feita perante a autoridade social. Esta, em função de uma dada correlação de forças sociais que sustentam o seu poder, estabelece uma garantia contra a injustiça, prescrevendo um sentido obrigatório para a conduta e autorizando a aplicação de uma sanção em caso de violação do mesmo; ou, estatuindo uma premiação em caso de adesão ao sentido desejado para a conduta.”

Comentário:
1) Validação Histórica:
a) No taxation without representation
- representa o primeiro princípio do Direito Tributário.
- nenhum tributo pode ser cobrado sem que antes seja aprovado pela representação popular, ou seja, nenhum tributo sem lei anterior que o preveja.
- os súditos de João-sem-terra, soberano inglês, em 1215, insurgiram-se contra a injustiça da cobrança de tributos, fixando essa norma.

b) Responsabilidade Civil do Estado
- o Estado indeniza os danos que causar no curso de suas atividades (art. 37, §6º - CF/88). Estabelecido o nexo de causalidade entre o agente estatal e o dano, o lesado tem direito ‘a reparação do prejuízo sofrido.
- no passado, o estado era irresponsável, ou seja, não tinha responsabilidade civil.

c) Direito do trabalho
- reivindicação de trabalhadores contra abusos.
- surgiu com os mineradores americanos, que reivindicaram um descanso de tempo igual ao dos animais.

  2) Consciência daquilo que é injusto
 A consciência do injusto começa com a sensação de desconforto, causada por uma agressão ao senso moral e aos sentidos. Assim, no primeiro momento, tem-se a sensação de desconforto, que evolui para um segundo grau: a percepção. Esta, envolve uma tomada de consciência. O terceiro grau é a compreensão, e dela surge a vontade de superar a injustiça e, por fim, tem-se a ação de reivindicação de justiça.

3) A autoridade social
A reivindicação de justiça é feita para a autoridade social, que se organiza de forma diferente no espaço e no tempo.
A autoridade detém o poder, capacidade de se fazer obedecido, que pode ser estruturado democrática ou autoritariamente.
O poder da autoridade social resulta da correlação de forças sociais, que existem dentro da sociedade. A correlação das forças é estudada pela ciência social, a Sociologia. Temos alguns nomes e respectivas obras ou teorias importantes neste estudo:
- Tocqueville – “Democracia na América”
- Montesquieu – “O Espírito das Leis”
- Durkheim – organização da sociedade em funções e papéis
- Comte – organização da sociedade de maneira científica
- Vilfredo Paretto – sociedade dividida em elites e massas
- Marx – contradição dialética entre as forças produtivas e as relações de produção
- Weber – organizações burocráticas e impessoais, acima do indivíduo.

4) Positivação do Direito
- O Direito é positivado pela manifestação de vontade do poder político ou pelos costumes.
- O Direito é positivado através da norma jurídica.
- A norma jurídica se define como: imperativo atributiva (Miguel Reale) ou imperativo autorizante (Godofredo Silva Teles e Maria Helena Diniz).
- Gênero próximo da definição: imperatividade. É gênero porque todas as normas jurídicas, morais, sociais e religiosas são imperativas.
- Diferença específica:
* Imperativo-atributiva: significa que a norma dá o poder de agir ao cidadão, à pessoa natural ou jurídica.
* Imperativo-autorizante: o poder de agir pertence aos seres humanos, e não à norma. Esta simplesmente autoriza um determinado meio de ação.
- Não é a sanção que distingue a norma jurídica das demais normas (morais, religiosas, sociais), pois a violação de qualquer delas é sancionada.

4. Relacione o Direito com a situação mostrada no filme “Cidade de Deus”.

O filme mostra a existência de uma situação caracterizada pela barbárie, em que o poder não é fundado em normas democraticamente instituídas e sim em normas impostas pela força, através da violência mais cruel. 
O filme  a "Cidade de Deus" mostra a existência, no Brasil, de uma realidade apartada da ordem jurídica positiva brasileira, posta pela Constituição Federal de 1988. 
Representa um gueto ou um quisto em que o poder é exercido pela força e violência dos homens que assim o conquistam e o detêm. Tais homens exercem o poder, como se não existisse uma ordem jurídica legítima no Brasil, com capacidade de alcançá-los.
Este tipo de situação evidencia que pode haver um "Governo dos Homens" em contraposição a um "Governo da Lei", governo este em que a manifestação dos homens está subordinada a um procedimento legal, às regras instituídas mediante o voto democrático da maioria. 
A tensão entre um "Governo dos Homens" e um "Governo da Lei" é permanente na evolução da civilização humana. 
Apreender o Direito em suas várias acepções e lutar pela sua concretização significa valorizar o "Governo da Lei" e derrotar o "Governo dos Homens", que é fundado na manifestação violenta de suas vontades.

QUESTÕES DE ÉTICA E CIDADANIA APLICADAS AO DIREITO II

 

1. Disserte sobre o bem comum especificando, ademais, o significado da igualdade na Constituição  Federal, o significado o termo eqüidade e, por fim, indique os três níveis da relação jurídica.

O Bem comum pode ser definido como a ajuda necessária à sobrevivência física e ao desenvolvimento social do ser humano. Pressuposto, somos todos impotentes, incapazes de responder por nós mesmos, visto que, ninguém é auto-suficiente, pois dependemos da ajuda dos outros desde o nosso nascimento até o momento de nossa morte. A ajuda é um denominador comum, não é anárquica, pois é estruturada através de instituições como a família, escola, Estado etc., as quais são moldadas em razão das culturas, cujo critério que deve presidir é o da justiça, fundamento do Direito, que nasce da consciência daquilo que é injusto. Cabe ao Estado proporcionar duas ordens: uma ordem de segurança e paz e uma ordem de bem estar, que significa criar condições para o desenvolvimento pessoal e grupal. Nesta ação positiva de criação de ordem de bem estar, o princípio a ser atendido é o da subsidiariedade. O Estado não deve intervir sempre que os particulares ou a sociedade, de maneira geral, puderem realizar por si mesmas.
A Constituição Federal trata do princípio da igualdade a fim de garanti-la, como um meio de justiça, de equilíbrio. Existe a igualdade formal, cujo princípio fala que “todos são iguais perante a lei, com os mesmos direitos e deveres”, e a igualdade substancial ou material, que fala que esta é a igualdade real, de grupos e classes sociais, de excluídos e incluídos.
Quanto ao termo “eqüidade”, é a aplicação da justiça ao caso concreto, que cabe ao Poder Judiciário, e que depende da lógica do razoável. Traz a norma ao caso concreto sendo ela uma hipótese, como regra e mandamento (dever ser).
Os três níveis da relação jurídica são: Direito e correlativo dever (conteúdo mínimo); pretensão e obrigação (conteúdo médio); ação, coação e a respectiva sanção (conteúdo máximo).

  2. Em que sentido é possível afirmar a emergência de uma sociedade civil global e de uma            
     
cidadania global?

Uma sociedade global está emergindo devido à ampliação da consciência da injustiça relativa aos efeitos da globalização das finanças, os protecionismos comerciais praticados pelos países que alardeiam o livre comércio, pelos descasos em relação ao meio ambiente. Esta sociedade civil global tem se destacado por meio de manifestações ao redor do mundo.
A cidadania global só tem sido possível por meio da INTERNET, a qual tem viabilizado uma tomada de consciência em relação às injustiças em nível global, permitindo a mobilização e a organização dos cidadãos do mundo, freqüentemente reunidos em torno das ONGs, muitas delas já transnacionais.

  3. Indique a cosmovisão calvinista e as conquistas éticas e sócio-políticas da reforma à luz do 
     
artigo “A busca por valores solidários” de Ricardo Quadros Gouvêa, publicado no livro "Um     
      olhar sobre Ética & Cidadania" - Coleção Reflexão Acadêmica da Universidade Presbiteriana
      Mackenzie.

A Reforma Protestante é fundamentada na ética calvinista do trabalho e desenvolvimento do pensamento sócio-político calvinista, que atinge a totalidade das áreas da vida humana e todos os diferentes compartimentos da reflexão teórica. A cosmovisão calvinista é baseada em três pilares: a vocação, a honestidade e a economia.
As conquistas éticas e sócio-políticas são:

·       
dignificação do trabalho humano, o qual deixa de ter idéia de maldição ou punição pelo pecado original (Idade Média);
·       
necessidade de uma vida simples, modesta, em que não se gastava mais do que se tinha, e o dever de poupar;
·       
a usura deixou de ser proibida em vários casos, o que permitiu o desenvolvimento de uma vasta rede de bancos com empréstimos financeiros;
·       
honestidade nos negócios, transparência;
·       
capitalismo selvagem;
·       
surgiu o direito à desobediência civil e checagem dos magistrados e de todas as autoridades civis pela população.

4. Cite as três gerações de direitos mencionadas no artigo “Direitos Humanos e Aprendizado Cooperativo” de Monica Herman Salem Caggiano, publicado no livro "Um olhar sobre Ética & Cidadania" - Coleção Reflexão Acadêmica da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

1ª geração – primeiras declarações, de tom mais solene, dotadas de formalidade, apenas preocupadas com a declaração dos direitos, mas não com suas formas de garantia. São marcadas de individualismo (direitos individuais, autonomia, independência).
2ª geração – bases ideológicas como a doutrina Social da Igreja, Constituição Mexicana de 1917, Constituição Alemã de Weimar, Tratado de Versalhes e outros. Perde-se o caráter individual. Proclamam-se direitos sociais, de cunho coletivo, reivindicando intervenção do Estado para garantir direito do trabalho, saúde, educação, lazer etc. Busca-se a efetivação.
3ª geração – direito à autodeterminação dos povos, direito à paz, à segurança, de solidariedade, à educação, a um meio ambiente saudável. Conjunto dos chamados Direitos Humanos. A questão da educação passa a atrair mais atenção.

  5. Mencione os dilemas éticos segundo o artigo “Dilemas no mundo político contemporâneo” de
      Cláudio Lembo, publicado no livro "Um olhar sobre Ética & Cidadania" - Coleção Reflexão
      Acadêmica da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Segundo esse artigo, são 11 os dilemas no mundo contemporâneo sob ponto de vista ético:
·       
A situação da mulher: em tempos antigos as mulheres eram submetidas ao poder masculino. Mas a cada dia as mulheres vêm conquistando posição de titulares de direitos iguais na sociedade. Porém, ainda há obstáculos para uma igualdade plena.
·       
A soberania: hoje, com os efeitos da globalização, tem sido grandemente questionada e debatida o problema da soberania.
·       
A globalização e cultura: são grandes os riscos da globalização sobre a cultura, porque pode ocasionar (e de fato já vem ocorrendo) uma elitização cultural dos países que detêm os melhores meios de tecnologia e uma exclusão científica dos países mais pobres.
·       
Fundamentalismo religioso: a religião tem sido usada para servir de arma política. É preciso haver tolerância, o que não significa aceitar a religião alheia mas sim respeitar a confissão de cada pessoa.
·       
Direito à inclusão: vivemos uma realidade em que há um quadro acirrado de desigualdades sociais, seja no âmbito regional, seja no âmbito global. É preciso conscientizar as pessoas com os princípios de solidariedade e subsidiariedade.
·       
Ensino público e privado: um dos problemas das escolas públicas hoje é o seu afastamento do ensino religioso, que é um difusor de valores éticos e morais. Tanto as escolas privadas como as públicas devem adotar a educação religiosa.
·       
Codificação ou desregulamentação: devido à alta dinamicidade do mundo e a crescente diversificação de atividades, torna-se cada vez mais necessária a codificação simples e prática (para cada situação ou atividade). Ex: Código de Defesa do Consumidor.
·       
Federalismo: a sua discussão também decorre dos efeitos da globalização, a respeito das competências, distribuição de receitas etc.
·       
Eleições de um só dia: pode gerar resultados deformados, influenciados por emoções momentâneas. O certo seria dividir o espaço territorial em circunscrições eleitorais e, em momentos diferentes, fazer campanhas e pleitos.
·       
Redesenhar o Estado descentralização administrativa, democratização de atos públicos, reformas do Judiciário etc.
·       
Comportamento ético: desempenhando duas funções – função crítica (contra condutas eticamente erradas) e função utópica (para alcançar ideais de justiça, igualdade, esperança).

6. Qual o significado da Internet segundo o artigo “Uma Reflexão sobre a Revolução da
    Comunicação e Informação” de José Augusto Pereira Brito, publicado no livro "Um olhar sobre
    Ética & Cidadania" - Coleção Reflexão Acadêmica da Universidade Presbiteriana Mackenzie ?

A Internet possibilitou uma verdadeira revolução na comunicação e na informação, fazendo com que as pessoas, por exemplo, participem, opinando, em programas televisivos; estejam simultaneamente em inúmeros lugares geográficos ao mesmo tempo; possibilitou o surgimento da indústria do sexo virtual, já tão discutida. Essas mudanças refletem aspectos éticos que necessitam ser discutidos e regulamentados, para garantir acesso democrático e ético às informações.

  7. Comente o filme “Cidade de Deus” à luz da dicotomia: Governo do Homem X Governo da Lei.

O filme mostra a existência de uma situação caracterizada pela barbárie, em que o poder não é fundado em normas democraticamente instituídas e sim em normas impostas pela força, através da violência mais cruel. 
O filme  a "Cidade de Deus" mostra a existência, no Brasil, de uma realidade apartada da ordem jurídica positiva brasileira, posta pela Constituição Federal de 1988. 
Representa um gueto ou um quisto em que o poder é exercido pela força e violência dos homens que assim o conquistam e o detêm. Tais homens exercem o poder, como se não existisse uma ordem jurídica legítima no Brasil, com capacidade de alcançá-los.
Este tipo de situação evidencia que pode haver um "Governo dos Homens" em contraposição a um "Governo da Lei", governo este em que a manifestação dos homens está subordinada a um procedimento legal, às regras instituídas mediante o voto democrático da maioria. 
A tensão entre um "Governo dos Homens" e um "Governo da Lei" é permanente na evolução da civilização humana. 
Apreender o Direito em suas várias acepções e lutar pela sua concretização significa valorizar o "Governo da Lei" e derrotar o "Governo dos Homens", que é fundado na manifestação violenta de suas vontades.

BIBLIOGRAFIA - ÉTICA

ACQUAVIVA, Marcus Cláudio. Ética do Advogado. São Paulo: Editora Jurídica Brasileira, 2000.
 

ACQUAVIVA, Marcus Cláudio. Notas Introdutórias à Ética Jurídica. São Paulo: Desafio Cultural, 2002.
 

ADEODATO, João Maurício. Ética e Retórica: para uma teoria da dogmática jurídica. São Paulo: Saraiva, 2002.
 

AMARAL, Antônio Carlos Rodrigues do. Ética Social e Governamental: Advocacy e Lobby – uma proposta para o exercício da cidadania na democracia contemporânea. São Paulo: Hot Topos, 1997.
 

ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Brasília: UnB, 1999.
 

ARISTÓTELES. Obra Jurídica, tradução de Dr. Carlos E. Rodrigues. São Paulo: Ícone Editora, 1997.
 

BIÉLER, André. O pensamento econômico e social de Calvino. São Paulo: CEP, 1990.
 

BITTAR, Eduardo C.B. Curso de Ética Jurídica: ética geral e profissional. São Paulo: Saraiva, 2002.
 

BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. Rio de Janeiro: Campos, 1997.
 

COSTA, Elcias Ferreira da. Deontologia Jurídica - Ética das Profissões Jurídicas. Rio de Janeiro: Forense, 2001.
 

CRETELLA JÚNIOR, José; CRETELLA NETO, José. 1000 Perguntas e Respostas Sobre o Estatuto da OAB e o Código de Ética e Disciplina - Para as Provas das Faculdades de Direito, Para os Exames da OAB, Para Concursos Públicos. Rio de Janeiro: Revista Forense, 1999.
 

KANT, Emmanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. São Paulo: Martin Claret, 2002.
 

LANGARO, Luiz Lima. Curso de Deontologia Jurídica. São Paulo: Saraiva, 1992.
 

MACEDO, Geronimo Thelm de. Estatuto da Advocacia e da OAB e Legislação Complementar ( Resultado Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB, Código de Ética e Disciplina da OAB e Provimento do Conselho Fiscal). Rio de Janeiro: Lumen Juris, 1999.
 

NALINI, José Renato. Ética Geral e profissional. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001.
 

PERELMAN, Chaïm. Ética e Direito. Tradução de Maria Ermantina Galvão G. Pereira. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
 

RODRIGUES, A, S.J. Práxis Cristã da Criação de Valores. São Paulo: Loyola, 1972.
 

SEN, Amartya Kumar. Sobre Ética e Economia, tradução de Laura Teixeira Motta, revisão técnica de Ricardo Doninelli Mendes. São Paulo:  Companhia das Letras, 1999.
 

TILLICH, Paul. A Coragem de Ser - Baseado nas Conferências Terry Pronunciadas na Yale University, tradução de Eglê Malheiros. Rio de Janeiro: 2ª ed. Paz e Terra, 1972.
 

VÁZQUEZ, Adolfo Sánchez. Ética. Rio de Janeiro: 23ª ed. Civilização Brasileira, 2002.

WEBER, Max. A Ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Pioneira, 2001.
 

ZAJDSZNAJDER, Luciano. Ser Ético no Brasil. Rio de Janeiro: Gryphus, 1994.
 

 

QUESTÕES DE FILOSOFIA DO DIREITO I


1. Discorra sobre a fenomenologia e indique a Teoria Tridimensional do Direito de Miguel Reale.

Fenomenologia por Lambert é o “estudo puramente descritivo do fenômeno tal como este se apresenta”. A essência deste método é procurar todas as singularidades do fenômeno para captar sua “Lei Universal”, descrição do puro fenômeno, seu “EIDOS”, sua essência. A verdade se define pela concordância do pensamento com o objeto. O conhecimento é a correlação entre o sujeito cognocente e o objeto conhecido, mediada pelo pensamento.
A Teoria Tridimensional do Direito descreve o fenômeno jurídico como uma integração dinâmica histórica e dialética entre  FATO, VALOR e NORMA. O Fato não é o bruto, como o evento, acontecimento. É o fato captado e interpretado pelo sujeito, trazido pela correlação entre o sujeito e o objeto (fenomenologia). Já o valor é a estimação. Da tensão entre fato e valor resulta a norma.

2. Disserte sobre a Metafísica Realista (pré-socráticos, Sócrates, Platão, Aristóteles, Santo Agostinho e Tomás de Aquino).

A Metafísica Realista é a 1ª corrente filosófica conhecida na História da Filosofia (séc. VI a.C. – séc. XIV d.C.). Representa uma “ruptura epistemológica”, visto que marca o rompimento com a religião e a sobrenaturalidade. Suas principais características são:
·       
virgindade filosófica: é a primeira atitude que tem por escopo a descoberta da “causa das causas”, olhando para o objeto sem perguntar nada ao sujeito.
·       
o objeto prevalece na relação sujeito-objeto: os objetos são coisas em si e por si mesmas.
·       
crença na capacidade do ser humano de estabelecer uma ligação entre a inteligência e a coisa.
·       
abstração dos elementos essenciais (substância) das coisas concretas.
·       
a Metafísica Realista também é conhecida como essencialista, substancialista ou conceptualista.
- pré-socráticos: definiram o princípio do ser, explicando o universo pela sua causa primeira. Cada filósofo atribui uma causa diferente: Tales de Mileto – água, Anaxímenes – ar, Anaxímandro – apeiron, Empédocles – 4 elementos (água, ar, terra, fogo), Demóclito – átomo, Pitágoras – número, Heráclito – fogo.
- Sócrates: método da Maiêutica e a importância do conceito.
- Platão: de Parmênides Platão absorve a separação entre o mundo sensível e o inteligível, e aceita os atributos do ser. O princípio do ser é a idéia, que está situada no Topus Uranus. A idéia existe em si e por si, e está fora do pensamento.
- Aristóteles: a idéia não está no Topus Uranus, mas em cada um dos objetos. A idéia  mostra aquilo que o objeto é. 3 pares de conceitos da substância: matéria e forma, possível e  real,  potência e ato. Teoria da Causalidade: passagem da potência para o ato – causa material, causa formal, causa eficiente ou instrumental e causa final. Lista 10 categorias, a partir dos quais é possível descrever a coisa: qualidade, quantidade, relação, paixão, ação, tempo, lugar, estado, posição, substância.
- Filosofia Cristã: tem a finalidade de conciliar o pensamento grego e o cristianismo. Surgem 2 escolas: a Patrística, que através de Santo Agostinho cristianizou Platão e a Escolástica, que através de São Tomás de Aquino cristianizou Aristóteles.

3. Disserte sobre a Metafísica Idealista (Descartes, empirismo, Kant e Hegel).

A Metafísica Idealista surge da crise da Metafísica Realista, em razão da descoberta de Copérnico e Galileu de que a Terra não é o centro do Universo e se move em torno do Sol. Desse modo, concluem que todos os objetos do pensamento humano são duvidosos.
A partir disto, Descartes cria uma proposição segura e indubitável: “penso, logo existo”. Dispõe que existem três substâncias:
-         o EU que pensa como ser em si, separado de seu corpo
-         DEUS que cria o mundo
-         COISA exterior que se compreende por meio de formas claras e distintas, entendidas pela geometria (racionalismo geométrico de Descartes).
Paralelamente a Descartes, os empiristas ingleses desenvolvem teses como “nada acontece na inteligência que antes não tenha passado pelos sentidos. Tudo decorre da experiência, a idéia surge da sensação, da percepção, não há idéia inata”.
Kant revolucionou a metafísica, pela Teoria do Conhecimento. Questionou as condições da possibilidade do conhecimento, ou seja, há limites na possibilidade de conhecer.
Criou categorias de entendimento: do múltiplo e do diverso. Para Kant, o conhecimento se expressa por meio de juízos, que são 3: juízo analítico a priori, juízo sintético a priori e juízo sintético a posteriori.
Hegel defende a fenomenologia do espírito, designando “ciência da experiência da consciência” desde o nível sensível até a apreensão do absoluto. 

4. O que diz a Lei do Materialismo Histórico e Dialético e o que se pode vislumbrar como novo no interior das forças produtivas no modo de produção capitalista?

A lei do Materialismo Histórico e Dialético diz que há uma contradição entre as forças produtivas (trabalho, ciência e técnica) e relações de produção expressas pelo direito positivo. O novo surge no interior das forças produtivas, cresce, expande-se e contradiz o Direito posto. A contradição se resolve sempre a favor do novo. O novo que vai revolucionar o capitalismo é a Internet, os hackers, como o Estado poderia tributar os acessos “on line”.
O Materialismo Histórico e Dialético fundado em Marx e na sua teoria assentada na práxis (a atividade concreta pela qual os sujeitos se afirmam no mundo, modificando sua realidade objetiva e, para poderem alterá-la, transformando-se a si mesmos), traz um materialismo histórico que dê conta do homem cientificamente, em sociedade, em processo, em relação, em história; e um materialismo dialético como processo histórico da contradição da realidade, das próprias relações produtivas e práticas do homem.

5. Indique a Lei dos 3 estados de Augusto Comte.

Comte afirmou ter descoberto a grande lei de evolução do desenvolvimento dos indivíduos e da coletividade, chamada a LEI DOS 3 ESTADOS. Segundo ele, os homens evoluem da seguinte maneira:
1º) Estado fictício ou teleológico: as explicações fundam-se nas sobrenaturalidades, nas religiões, nos deuses.
2º) Estado metafísico ou abstrato: as explicações fundam-se em abstrações, entes abstratos criados pela própria razão humana, constituindo-se este estado em um estágio de transição.
3º) Estado positivo ou científico: fundado nas ciências, na observação dos fatos e nas descobertas científicas.

6. Relacione o filme “Cidade de Deus” e o Direito.

O filme mostra a existência de uma situação caracterizada pela barbárie, em que o poder não é fundado em normas democraticamente instituídas e sim em normas impostas pela força, através da violência mais cruel. 
O filme  a "Cidade de Deus" mostra a existência, no Brasil, de uma realidade apartada da ordem jurídica positiva brasileira, posta pela Constituição Federal de 1988. 
Representa um gueto ou um quisto em que o poder é exercido pela força e violência dos homens que assim o conquistam e o detêm. Tais homens exercem o poder, como se não existisse uma ordem jurídica legítima no Brasil, com capacidade de alcançá-los.
Este tipo de situação evidencia que pode haver um "Governo dos Homens" em contraposição a um "Governo da Lei", governo este em que a manifestação dos homens está subordinada a um procedimento legal, às regras instituídas mediante o voto democrático da maioria. 
A tensão entre um "Governo dos Homens" e um "Governo da Lei" é permanente na evolução da civilização humana. 
Apreender o Direito em suas várias acepções e lutar pela sua concretização significa valorizar o "Governo da Lei" e derrotar o "Governo dos Homens", que é fundado na manifestação violenta de suas vontades.

 

BIBLIOGRAFIA - FILOSOFIA DO DIREITO

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